segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nenhum deles?

4 elementos

Existia ainda o vento
Como sopro necessário
Para as folhas ao relento
Continuarem o movimento diário

Havia ainda a gota
No fundo da enorme taça
A gota que não deixa a sede
Transformar-se na última desgraça

Ardia ainda alguma brasa
Da devastação de uma densa floresta
Vendo a terra parca e rasa
É vida qualquer iluminação que resta.

Via-se os pés fincados na lama
E ainda assim caminhava
Agora, lá de cima, ela se derrama
Na cabeça de quem andar sonhava

Fazia sentido haver quatro elementos
Hoje nada mais interessa
A não ser estes medíocres pensamentos
Depois da história indigesta

Nada mais impulsiona vida
Nem ar, nem água, nem fogo ou terra
Nada preenche o vazio dessa longa espera.

(13 - 06 - 2007)

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