terça-feira, 26 de outubro de 2010

Do papai

Valéria


Meu pequeno motivo de euforia:
Neste frágil corpo, intenso de bem estar
Balança gracioso a inocente alegria,
no que é mais puro num anjo reparar!


Meu grande motivo de estar:
Neste meigo jeito complicado de falar,
troca letras, mas sensível pra dizer,
o que é mais santo um santo perceber!


Meu doce motivo de lidar:
Não importa a tão jovem teimosia,
teus carinhos compensam a avaria,
no que é mais terno um anjo demonstrar!


Minha adorável filha:
reservo-me o direito por sua infância agora,
Pra te preparar para sua vida afora,
Pelo que é mais justo um anjo merecer!


Pai
29/08/88

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viagem antes da grande viagem...

Espelho. René Magritte

E de pensar que o medo não existiria se o enveredar-se por aí fosse imensamente seguro...

Mas é dos contrastes que me faço. Eles existem e os amo e os delicio. Todos eles!
Mas são os referentes ao sentir que mais tenho apreço e aos quais dedico meus minutos.

Sentimos tudo e nada, tanto e pouco, preto e branco. Sentimos brilho e opaco, confuso e pleno.

Sentir é o desafio e aconchego diários. Sentir, em sua essência, é contraditório! Mas tão bom... e tão ruim. Digo ora bom, ora ruim. Rei e escravo. É sempre dois lados.

Amo sentir a mim mesma, assim como é necessário não me sentir às vezes...
Sim! O mais doce perfume importado e o invasor odor do chorume.
Tudo é possível! Sentir é costume!

 06/03/2009
2h26

Nosotros

Darme, darte...
Entre los dos verbos conjugados
El amor hizo su arte:
Nuestros distintos paisajes conectados

Éramos dos líneas casi muertas
Sueltas en la vida mundana.
Vivíamos rompiendo a las puertas
Buscando agarrarnos en alguna de lana.

De hilo en hilo nos buscamos
En varios de los nudos estuvimos
Pero en el cansar del coser nos encontramos
Sin esperanzas, cierta noche nos sentimos.

Del gris surgieron infinitos colores.
Rojo, rosa, verde, azul, incontables...
Capaces de apagar dolores
Somos cielo, arco íris notables.

Si estoy dispuesta a amar tu locura
Es porque nuestros almas siempre se han buscado
Para la incansable posibilidad de magia pura!


agosto 2009


San Miguel de Tucumán - Argentina










E se me perguntas:
- O que és?
Respondo-te:
- Algo da cabeça aos pés.
E se insistes:
- Mas quem és tu?
Digo, sem pudor:
Vai tomar no cu!

maio 2008

Poeminha concreto

Ontem, pô!
O tempo...

...passou

(março 2007)

É entristecer sempre...

Lá no fundo de minha alegria
Houve sempre o gemido da tristeza
Por pensar na dor eu ria
Para que a vida se traduzisse em beleza.

O tempo todo fui desse jeito
Sem perceber que me traía
Hoje quero arrancar isso do peito
E mostrar minha poesia.

Poesia de consciente obscuridade
Da alma de quem se diz feliz
E que na folha choram, na verdade
Palavras do profundo que é cicatriz.

Poesia improdutiva, seja bem-vindo!
indigna de qualquer louvor
Da poetiza que está sempre sorrindo
E que só tem inspiração na dor.

(maio 2007)

Ao amigo eDUardo...

DU

 
Há um grito de desespero no munDU
Por não se viver o mais profunDU
De não sentir um pouquinho de tuDU

As pessoas vivem dizenDU
Que viver intensamente dá meDU
Que se mostrar é um absurDU

E o povo vai levanDU
A frustração do sonho reprimiDU
Do desejo contiDU
Do íntimo escondiDU
Do abraço retraíDU
Do limite definiDU

Devo, então, dizer obrigaDU
Ao deus de meu peculiar creDU
Por ter a cura disso ao meu laDU
Por ter, finalmente, conheciDU
O meu grande amigo eDUardo!

(Araraquara, 15/06/2007)

Nenhum deles?

4 elementos

Existia ainda o vento
Como sopro necessário
Para as folhas ao relento
Continuarem o movimento diário

Havia ainda a gota
No fundo da enorme taça
A gota que não deixa a sede
Transformar-se na última desgraça

Ardia ainda alguma brasa
Da devastação de uma densa floresta
Vendo a terra parca e rasa
É vida qualquer iluminação que resta.

Via-se os pés fincados na lama
E ainda assim caminhava
Agora, lá de cima, ela se derrama
Na cabeça de quem andar sonhava

Fazia sentido haver quatro elementos
Hoje nada mais interessa
A não ser estes medíocres pensamentos
Depois da história indigesta

Nada mais impulsiona vida
Nem ar, nem água, nem fogo ou terra
Nada preenche o vazio dessa longa espera.

(13 - 06 - 2007)

Referência dolorida a transições.

Outono

Tô muda! Minha mão aleijada
Já não falo nem escrevo
De perceber que é página virada
Aquilo que mais desejo.

As pernas não querem andar
As noites não são mais pra dormir
Neste outono infernal
Em que as folhas não param de cair.

Sinto-me um galho seco
Nem a seiva bruta
Percorre meu corpo
Pra levar vida ao peito

Não há grito, não tem jeito
Nem posso esperar a primavera
Teu inverno acaba com o resto
Do tronco que a terra espera

A última folha que caiu
A gota de esperança que restava
Ai, este outono induziu
a morte parcial de minh´alma.



(16 - 05 - 2007)