domingo, 11 de setembro de 2011

Café da manhã

           

Salvador Dalí. MESA. 1904.
               Hoje...
              Um começo de novembro de um fim de ano tortuoso. Talvez o mais pesado dos anos. Fui absorvida, minha energia sugada por todos os lados. É difícil encontrar sabores em mim. O deliciar do outro de meus doces, de meus salgados, amargos ou cítricos me leva ao que me transformei. Insossa!
                A crueldade emocional veio de todos os lados, mesmo que eu fizesse força pra que não me encontrasse, ainda que evitasse qualquer manifestação nova de sentidos. Foi inevitável.
Os conflitos dos que me rodeiam são sempre suas justificativas plausíveis e egocêntricas para o meu esvaziamento constante. Sim... Minha compreensão abre todas as portas para a indulgência alheia.
                Optar pelo mais fácil... Não se importar com o que sinto. Porque minha complacência permite que o outro encontre o lugar seguro da incontinência.
                Pergunto-me, todas as noites, até onde isso tudo poderá chegar? Quantas migalhas de mim serão refeitas? Antes disso, por que o mundo me reduz a elas? Sou o pão mais fresco do café da manhã. O cheiroso e quente pão fresco do derretimento de sua margarina! Derrame-a! Deleite-se em meus miolos... Porque tenho a habilidade de deixá-lo extremamente confortável aqui dentro.
                Está bem... Recolho os lixos que deixou na mesa. Quem cumpriria melhor a nobre tarefa do que eu? É assim que vocês pensam... Esse conforto da irresponsabilidade comedida lhes cabe. É grandioso em detrimento de minhas energias... O mundo aposta em que sejam inesgotáveis. Talvez um dia eu tenha acreditado nisso também.
                Mas, olhem para mim, meus caros! Estou aqui, insossa! Manca, torpe nos vagarosos próximos passos.
                A crueldade emocional está estampada! Enxerguemos, assumamos!
                Questão primeira de polidez: perguntem-se, às vezes, se estou bem hoje!


                                               (01/11/2010)

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